Haryalyë melmenya
O amor
é para
aqueles que
aguentam
a sobrecarga
psíquica
Eu tive coragem. Ainda cedo sai para as ruas com o pés descalços debaixo de uma tempestade quadrúpede. Choviam mágoas, trovoavam versos, sua morte. Talvez eu estivesse precisando de lavar a minha alma, talvez apenas necessitasse precipitar um dilúvio interno capaz de transbordar tudo o que ficou impregnado e mal resolvido entre nós. Eu precisava me sentir leve, meus ombros tortos e acabrunhados não suportam mais o insustentável. E em um surto quase esquizofrênico corro pela avenida esbravejando pelos olhos a minha breve conquista. Era a expressão exata e incorrigível do meu olhar de despedida dizendo fica. Meu suicídio sentimental escorria com as águas pelos bueiros da marginal. Espaços na língua, espaços entre os olhos, entre os dentes, espaços na alma, ao chegar em casa pude constatar a capacidade do ato virar uma doce e perfumada lembrança feita de pés, cicuta, mãos e olhos molhados. Sua visão refletida no assoalho frio e intrépido apenas constava o óbvio. Tinha me tornado matéria reciclável. Na esteira aguardava ser finalmente transformado em algo um pouco melhor. Permita-me, mon chérri. Permita-me voar vazio, tão leve e sublime. Talvez agora separados os atos dos afoitados e corruptos sentimentos de dor você entenda que a saudade é apenas a vontade de se ter o que se foi e o que jamais voltará, assim como a água da chuva. Eu queria mover-me feito luz e diante da interminável estante de livro catar doces metáforas para compor na pele fina do seu corpo os versos mais lindos feitos por amor. E depois de escorrer-me pelo mundo a fora vir preencher mais uma vez o pote dos seus olhos com as minhas águas purificadas. Talvez seja porque, mesmo depois de jogar fora toda a dor, a inocência peça que fique. Isto é tudo que nos resta. Talvez esteja aqui por você, talvez mais um vez por mim. Talvez isso seja o pra sempre. Eu preciso arrancar as minhãs mãos e coloca-las sobre a mesa. Quero seus monólogos ardentes no meu ouvido. Há muito espaço aqui. A sujeira ficou nas sombras dos vulneráveis gestos articulados pelo acaso. A minha alma esta solta, desacortinei os aposentos da solidão. A sua voz ecoa no abismo do meu peito que devora os olhos esquecidos na cadeira. Venha mon amour, deite-se sobre o minhas vestes molhadas. Nosso destino está selado? Não, são apenas nossas almas limpas e soltas por cima de nós.
Elisa Bartlett.   (via oxigenio-dapalavra)
Há 4 dias . 3.771 notas . compartilhe
Quer saber… que se ame!
Eu me chamo Antônio   (via umgozopromeutero)
Há 1 mês . 7.473 notas . compartilhe

pulmaocancerigeno:

teus olhos sempre me foram portais para outra galáxia; teu mundo particular. quando os volta para minha direção é o apogeu de meus colapsos interiores. sinto-me esvaída e preenchida, paradoxalmente. você acha meus paradoxos curiosamente cômicos, ri-se das minhas falhas tentativas de explanação. baby, tu não compreenderias as galáxias que são teus olhos.

Há 1 mês . 82 notas . compartilhe

Amo o que Vejo

Amo o que vejo porque deixarei 
   Qualquer dia de o ver. 
   Amo-o também porque é. 

No plácido intervalo em que me sinto, 
   Do amar, mais que ser, 
   Amo o haver tudo e a mim. 

Melhor me não dariam, se voltassem, 
   Os primitivos deuses, 
   Que também, nada sabem. 

Ricardo Reis

Há 1 mês . 35 notas . compartilhe
Um dia vamos lembrar das coisas que a gente fazia, brincadeiras que só a gente entendia.
— Forfun (via autorias)
Há 1 mês . 522 notas . compartilhe
Há 1 mês . 177 notas . compartilhe
Se você já assistiu “(500) Dias Com Ela” sabe do que estou falando. Vinte e cinco segundos. Eu contei. Vinte e cinco segundos podem representar sua ruína. É o tempo que dura aquela cena no elevador, quando Tom está escutando “There Is a Light That Never Goes Out” e ela, graciosamente chega perto diz “Eu amo os Smiths!” e ainda canta um trechinho da canção feito um gatinho doente, dançando com olhos e pescoços e franjas e todos aqueles quilômetros de lábios róseos feito morango em foto publicitária. Vinte e cinco segundos, cara. E você foi surrupiado de si mesmo e está fodido por uns cinco anos.
Gabito Nunes.  (via recomendar)
Há 2 meses . 5.299 notas . compartilhe

velhocaos:

Alguns espaços são tão largos, tão profundos.
Eu me perco em qualquer buraco raso, em qualquer lacuna.
Às vezes o cheio é tão oco, o peso tão vazio.
São nesses espaços que mora a solidão.

dm.

Há 2 meses . 183 notas . compartilhe

velhocaos:

te procurar no sossego, e gritar, para que você diga, o que te perturba tanto, meu amor? por que todo este silêncio entre nós? diga alguma coisa. dê um suspiro. mas não me deixe naufragar na imobilidade. eu preciso de barulho, sou feita de caos, o caos exige movimento.

Há 2 meses . 119 notas . compartilhe

A dor é uma coisa estranha.
Um gato que mata um pássaro,
um acidente de automóvel,
um incêndio…

A dor chega,
BANG,
e eis que ela te atinge.

É real.

E aos olhos de qualquer pessoa pareces um estúpido.
Como se te tornasses, de repente, num idiota.

E não há cura para isso,
a menos que encontres alguém
que compreenda realmente o que sentes
e te saiba ajudar…

Charles Bukowski. (via cerejeiro)
Há 2 meses . 3.968 notas . compartilhe
Ás vezes o cara tem que lutar tanto pela vida que nem dá tempo pra viver.
Charles Bukowski.   (via esclarecer)
Há 2 meses . 1.913 notas . compartilhe
Vou te roubar pra mim. Te pegar pelo braço e te levar pra longe, onde só haja eu e você. Te contar meus medos e defeitos, e deixar que você descubra minhas qualidades, de um modo que se apaixone mais por mim. Te contar que meu maior medo é te perder. De não ser o que você precisa, de não ser o bastante pra você. Dizer-te que não sou egoísta, mas quando se trata de você, eu passo a ser. E se tiver paciência te conto minha história e te deixo contar a sua. Seremos um do outro, um pro outro. Seremos eternamente nossos.
Eternismo.  (via recontador)
Há 2 meses . 13.155 notas . compartilhe
Você é tão errado e cheio de estragos. E me peguei olhando pra tudo isso e amando tanto, tanto, tanto. Como se nada mais no mundo fosse tão bonito ou correto, ou mesmo perfeito, porque perfeito é o que não tem mesmo cabimento.
Tati Bernardi (via pul-sando)
Há 2 meses . 32.982 notas . compartilhe
Os meus ciúmes eram intensos, mas curtos. Com pouco derrubaria tudo. Mas, com o mesmo pouco, ou menos, reconstruiria o céu, a terra e as estrelas.
Dom Casmurro.     (via sucedas)
Há 2 meses . 56.794 notas . compartilhe
Há bastante deslealdade, ódio, violência, absurdo no ser humano comum para suprir qualquer exército em qualquer dia. E o melhor no assassinato são aqueles que pregam contra ele. E o melhor no ódio são aqueles que pregam amor, e o melhor na guerra, são aqueles que pregam a paz. Aqueles que pregam Deus precisam de Deus, aqueles que pregam paz não têm paz, aqueles que pregam amor não têm amor. Cuidado com os pregadores, cuidado com os sabedores. Cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros. Cuidado com aqueles que detestam pobreza ou que são orgulhosos dela. Cuidado com aqueles que elogiam fácil, porque eles precisam de elogios de volta. Cuidado com aqueles que censuram fácil, eles têm medo daquilo que não conhecem. Cuidado com aqueles que procuram constantes multidões, eles não são nada sozinhos. Cuidado com o homem comum, com a mulher comum, cuidado com o amor deles. O amor deles é comum, procura o comum, mas há genialidade em seu ódio, há bastante genialidade em seu ódio para matar você, para matar qualquer um. Sem esperar solidão, sem entender solidão eles tentarão destruir qualquer coisa que seja diferente deles mesmos.
Charles Bukowski. (via revivenciador)
Há 2 meses . 10.578 notas . compartilhe
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